Notas sobre o “Ensaio sobre a cegueira”

Hoje, acabei de ler o ensaio sobre a cegueira (para ser mais preciso há 15 minutos atrás)…

Esta obra de Saramago  é uma crítica aos valores sociais, expondo o caos a que se chega quando a maioria da população cega. Uma característica interessante do texto é que os personagens não têm nomes, sendo descritas por características próprias – o primeiro cego, o médico, a mulher do primeiro cego, a rapariga de óculos, entre tantos outros que aparecem no desenrolar da narrativa, onde uma epidemia se alastra a partir de um homem que cega esperando o semáforo abrir.

A narrativa leva-nos a refletir sobre a moral e o preconceito, pois faz com que a mulher do médico se depare com situações inadmissíveis às pessoas em condições normais. Exposta à sujeira, a uma existência miserável em todos os sentidos, ela mata para preservar a si e aos demais, e se depara com a morte de maneira bizarra após a saída do hospício: os cadáveres se espalham pelas ruas, o fogo fátuo aparece debaixo das portas do armazém onde, dias antes, ela buscou comida.

Vários pontos ficaram sem explicação (provavelmente, de propósito…). No último parágrafo do texto, fica “no” que a mulher do médico (a única que enxergava durante toda a narrativa) ficou cega, mas nada é confirmado.
Um dos mais interessantes pontos da narrativa foi quando entrou na igreja, a mulher do médico se deparou com imagens de santos com vendas brancas em seus olhos. Talvez Saramago sejasse mostrar que “se os céus não vêem, que ninguém veja”…
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